O Bárbaro Social


29/09/2006


Padres fazem a festa com dinheiro da paróquia

 

Sabe aquele dinheirinho, aquelas notas amassadas que os fiéis vão deixando a cada missa da igreja?
Um padre católico foi detido na Flórida por ter, de grão em grão, apropriado-se de US$ 8,5 milhões, informou a incrédula polícia do Estado norte-americano nesta quinta-feira. Um outro padre, pecador em conjunto nesta obra, está foragido.



Os dois desviaram o tutu durante 40 anos da igrejinha de Delray Beach (leste da Flórida) e torraram os miúdos acumulados em viagens, cassinos, hotéis e restaurantes. E apartamentos.



A fiança do que está atualmente preso, John Skehan, de 79 anos, foi fixada em US$ 400 mil.



O Editor, que costuma pagar seus pecados religiosamente em dia e que tem o dom do perdão no coração, está disposto a colaborar para tirar o velhindo de trás das grades: vai colocar US$ 1 na cestinha no próximo domingo, se por acaso estiver tomando sol nas praias da Flórida.



Fonte: AFP

Escrito por Bonvilão às 10h55
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22/06/2006


Seguradora faz apólice para renascimento de Cristo
Quinta, 22 de Junho de 2006, 12h06
Fonte: INVERTIA


Uma seguradora britânica fez uma apólice de cerca de R$ 3 milhões para três irmãs, caso elas perdessem a virgindade ao dar a luz a Cristo em seu renascimento. A Britishinsuranse confirmou ter feito a apólice, mas disse que vai revisá-la depois de receber reclamações.

Segundo a empresa, as irmãs, da cidade de Inverness, mantêm o seguro desde 2000. O valor teria o objetivo de cobrir os custos de criar o Cristo caso uma das duas o concebesse. Para receber, as irmãs teriam que provar terem dedo à luz ao filho de Deus.

A empresa pediu desculpas por ter feito a apólice e disse que não era sua intenção ofender ninguém.

Escrito por Bonvilão às 13h37
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13/06/2006


RESCALDO
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Encardidas empoadas geridas por narizes aduncos
À guisa do ferrão em riste do efeito pó
Guilhotinados pelo feito impossível
Dorme festim e acorda pólvora
Espalhada nos contornos da carótida inchada
Por um pulsar errante de ser escotilha
Para vistas fraturadas

 

Cobertura de tortos horizontes
Num contemplar absurdo da paródia mortiça
Derretida em prece disforme
Cântaros de veleidades à boreste do susto
Tido panteão das formas renascidas
Pelo hálito puro de matriarcas sem nome
No bulbo casto do remoço natural
No sulco gasto do entorno do coral
Sucumba rico de feridas
Esculpidas nos detalhes pedidos por ti
Em encarniçada fúria de trucido
Adorne a pele com fôrro de cicatrizes
Em macabra decoração para inspiração
D´alguma canção que louve o normakl
Ou que de caro saiu por efeito
Dos petardos misturados de exagero

 

E o de minerva veio à tona no chacoalho
O de misericórdia na nona carta do baralho
Na haste lambida da bandeira do impropério
Renasce do senho sério
Virulentas searas que aquiescem
As pústulas pré-estouro
O sábio penteia a barba
E o burro move a carga que um dia
Chegará às portas de muros mouros e voltará
Por não ter a quem entregar

 

A candura falsa da dona jovem
Que farfalha as folhas sêcas do cemitério ermo
A mistura de valsa e tango da marafona
Que estraçalha a colheita com pés quarenta
Para colher as safiras que darão o vil valor
Ao vintém chamuscado pelos poucos
Trocados fascistas saídos de bolsos adolfos

 

É a corda que treme nas ingerências
De um pulsar anêmona mixórdia
Lata salazares! Meta-se comensais
A catar presas cruas para consumo nervoso
Para barulho bucal, para no bocal plugar
O câncer quer ativa o gatilho
Na pele amarela de ovo chôco
Não há bamba que saiba da missa um terço
Não que eu lamba a Cissa no beiço
O fato basco de vir bomba
É que o céu hoje fechou e não teremos
Conspirações estelares a enfeitar
O brilho dos olhos, meu caro
Nada que se jacte pelo buço da Monalisa
Praga lançada em meio ao soluço
Que paralisa o berro que dita
A versão banal imaginária
Do hino-mão-esquerda-no-peito
Do fino flanco esquerdo as cinco estrelas
De úmidos becos com recheio mendigo
Ao retardo no arrôto sonoro sacado
Do mesmo peito ferido

 

A saracura jaz siderada no mármore alvo do jazigo
Portento no molde impacto fugaz do cemitério
Éter em poros torpes entupidos de outros seres
Ambiências mordazes contrafeitas sob céu claro
Cisma hostil com cheiro de arestas mal aparadas
O bocejo ardido e demorado pontua o minuto
Mais nervoso e jubilado em seguida
Pelo gume longo do sabre sedento

 

De tudo que era etéreo restou eu
Arremedo fantasma que por auto-piedade
Não arrasta mais correntes

 

O entreposto dos antepastos velhos servidos
O esturrico esquizóide da perfídia mais tôsca
O primeiro pio em pigarro irritante
O controle dos dramas com maciez disforme

 

De tudo que era histérico restou eu
Azêdo miasma que na falta de sobriedade
Não arrisca mais atos insolentes

 

Quão triste a espada em riste
Que tornou a graça da menina
Em dois pedaços de carne sem função.

Escrito por Bonvilão às 09h32
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16/05/2006


O DIABO DE FERRO E O DIABO DE CARNE
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- Volte agora e traga mais!
- Não posso. Juro que não posso!
- Claro que pode. Você vai voltar agora, já!
- Não, por favor, eu imploro, não há como trazer mais. Não voltarei vivo. Existe algo que você não sabe.

 

Antígono e Misantropo eram dois irmãos muito diferentes entre si. O primeiro vivia para as coisas reais, para sólidos projetos, mesmo que todos eles fossem com as frágeis bases dos seus próprios devaneios. Misantropo saiu-se ao contrário apesar de suas próprias ambições serem não mais que partículas microscópicas de realidade. Na verdade ele gostaria de submergir numa belonave e vir à tona anos depois trajando um belo escafandro e com a mão cheia de dólares. Um pragmático e o outro sonhador. Receita potencial para qualquer coisa, até para a tragédia, aos moldes de Misantropo, diga-se. Dormiam no mesmo quarto e entendiam-se bem, até uma ocasião em que Misantropo, acometido por um afebre alta devido a uma infecção, passou a ter sonhos bem estranhos, e mais estranhos ainda foram os seus resultados. Depois de convalescer dois dias em sua cama, Misantropo sonhou mais uma vez.

 

- Êi cara segure isso aqui para mim e não saia daqui de jeito nenhum até eu voltar - disse o velho entregando uma velha bolsa de couro ao rapaz.
- Não posso ficar aqui senhor - gritou inutilmente Misantropo ao velho de longas passadas que ainda deu uma última espiada para trás e gritou:
- Trarei m ais, e não se preocupe que o diabo de ferro está atrasado hoje.


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-Ta..tapas!?
Aquilo eram tapas nas suas bochechas febris. Alguém lhe batia aos gritos.
- Acorde cara!
- O que foi?
- Você estava tendo um pesadelo e assim não há quem durma né! - esbravejou Antígono.
- Desculpe
- Que diabos é isso que você está agarrando como uma bóia salva-vidas?
- Hã!

 

Misantropo levantou a cabeça levemente e viu a bolsa de couro velho. A bolsa que o velho lhe entregara no sonho e o  mandara segurar e esperar sua volta. Será que ainda estava sonhando? Não, não era possível. O seu quarto e os tapas do irmão eram bem reais.

 

- Vamos diga o que há aí!
- Não sei
- Então vamos abrir

 

Antígono tomou a bolsa gasta nos braços e abriu as duas alças que a fechavam. Ao abrir faltou-lhe fôlego para revelar o conteúdo ao irmão enfermo.

 

- Céus! Isso aqui está recheado de dinheiro. Como você conseguiu tudo isso?
- Não é meu. É do velho que estava a pouco no meu sonho. Ele disse que eu esperasse que ele ía buscar mais. Mas daí você me socou e eu acordei.
- Você têm que voltar e pegar mais. Imagine o que poderíamos fazer juntos com toda essa grana, nós dois Misantropo, nóis dois!
- Não posso voltar
- Claro que pode. É só fechar os olhos e adormecer. Você vai encontrar o tal velho. Tome, leve a bolsa para ele saber que você ainda está lá com ela. Assim que ele te entregar a outra, grite a todos pulmões que eu  te acordo viu?
- Você não entende, têm o diabo de ferro que já deve estar chegando
- Deve ser pra te assustar
- Não, tenho certeza. Eu estava no lugar dele, e ele deve estar pra chegar
- Você vai voltar sim e vai fazer exatamente o que eu estou mandando que faça. Tome isso. Abra a boca.

 

Antígono enfiou alguns comprimidos na boca do irmão que relutante adormeceu por força da forte química. As nuvens foram se dissipando e tudo o que se via era o lugar já conhecido. A bolsa segura com toda a força contra o peito e o velho vindo ao longe esbaforido, gesticulando bastante. Não conseguia ouvir o que ele queria dizer. O que interessava era a outra bolsa que ele carregava em uma das mãos. Vinha num arremedo de corrida. Tropeçou duas vezes e em uma delas foi ao chão. Estranho aquele nervoso, e a mão socando o ar com o dedo indicador em riste como a mostrar algo acima da minha cabeça. Olhei pra cima e só vi o sol cáustico que rachava os meus lábios de secura e calor. Realmente estava difícil de compreender o que o velho queria. Distraidamente olhei para trás e um arrepio tomou conta da minha espinha. Era ele. Nada mais havia por fazer. Gritaria, mas o diabo de ferro seria mais rápido que os tapas de Antígono.


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- Acorde porra, acorde! - Antígono esmurrava a cara do irmão enquanto assistia horrorizado pedaços do corpo do irmão soltarem-se e cairem no chão do quarto. Havia uma lama de sangue e vísceras no colchão. O rosto de Misantropo virou uma amálgama de massa cinzenta e ossos de crânia retorcidos numa cena grotesca. Antígono afastava-se lentamente do cadáveresfacelado, paralisado de medo, sem entender nada. As pernas decepadas e o tóraz partido ao meio. A cabeça disforme. As paredes do quarto salpicadas de vermelho. Nada daquilo fazia sentido. Misantropo estava sonhando apenas. Andou mais tres passos de costas, virou-se de frente para a janela, abriu-a. Subiu no parapeito e jogou-se.


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- Pobre rapaz - disse o velho. - Tentei avisar que o trem vinha logo atrás. Pagou com a sua obediência. Algo devia tê-lo feito acordar a tempo. O diabo faz das suas mais uma vez.

 

E se foi andando com as duas bolsas.

Escrito por Bonvilão às 09h16
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11/05/2006


O BAILE DOS ANDRÓIDES
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Chovia, o que era ruim. Como manter as articulações metálicas engraxadas o tempo todo? Por isso a balbúrdia para chegar logo à porta do grande salão que logo estaria povoado por criaturas não concebidas por Deus. Ouviam-se "clancs" nervosos por todo o lindo gramado que forrava a entrada. Poucas vezes os jornais deram tantas versões para o mesmo tema. Uns diziam que o baile seria o estopim para a invasão definitiva, outros que seria a celebração da carne com o metal. Teve um ainda que acreditava piamente que tudo não passaria de uma demonstração pífia de boa vontade forçada, altruísmo de máquina mesmo. Ainda assim soava um presságio estranho. Tanto tempo escondidos em laboratórios, funções mecânicas. A música que ecoava pelas trombetas da solidão finalmente os punha de frente com aquilo que descobriram logo ser o principal problema:  o sopro da vida. Nada mais faria sentido se continuasse se furtando de usufruir os gôzos humanos. Metal e carne, óleo e sangue, tudo junto. Seria o fim do obscurantismo ciborgue. O fim da saga das sucatas tragadas pela incompreensão e submissão. Seriam adotados por Ele sim, e seguiriam seus preceitos aceitando cabeças de parafusos no lugar de óstias. Não tardaria e os convites chegariam em mãos humanas. A comunhão pela dança, talvez um pouco desengonçada, mas de boa vontade. Onze e meia da noite do dia dito como aquele que mudaria os rumos da humanidade. Casais mistos no salão bailam trôpegos em prol da união das raças, mesmo que uma delas seja feita de liga de kevlar. O céu dá a impressão que desaprova tal coisa ao fechar-se numa cortina espessa de nuvens negras. As estrelas não pedem licença e somem. Os riscos luminosos, a princípio tímidos, perdem a discrição e iniciam um balé junto com a torrente de água que cai, como a ensinar a dança das coisas naturais. Os vidros das enormes janelas do salão espatifam-se. A música continua alta, os estranhos casais continuam arrastando-se como podem e nada percebem. A catarse manifestada. Raios entram pelo salão atingindo os primeiros pares. A eletricidade encontra o metal que usa a carne como fio terra. A música segue no seu ritmo sugerindo que aquela psicodelia será infinita. Resta pouco. Rios de líquido prateado  misturado à carne frita toma conta dos últimos recantos da grande pista de dança. Cheiro de curto-circuito com cabelo queimado. Sirenes ao longe. Frota de ambulâncias a caminho. No cruzamento da rua Pau de Ferro com a Coração de Jesus, soa o gongo da meia-noite. Pipocam flashes, e os carros brancos de socorro transformam-se em gigantescas abóboras. Dois andróides e duas humanas furam as grossas cascas alaranjadas e ganham as ruas correndo a última quadra restante até o salão funesto, palco do baile outrora tido como omo uma ameaça as pretensões fascistas humanóides. Nada a ser feito. A ira divina ordenou as coisas. Os dois andróides enfermeiros suicidaram-se queimando seus circuitos centrais e as duas humanas compadecidas, cataram os corpos metálicos, derreteram sua massa e forjaram grossas barras de prisão que ornam hoje as portas e janelas das suas casas, e de onde não saem há duas décadas impingidas pelo auto-cárcere e acometidas pela descrença eterna. Estranhamente mestruam um sangue de côr prateada todos os meses.

Escrito por Bonvilão às 10h36
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10/05/2006


VOCÊ É O QUE VOCÊ COME
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Aqui fede, é o fim
Nada cede, só eu digo sim
Ouço a vara de porcos vindo
Farão sujeira de mim
Serei picado entre dentes
Dementes de fúria e fome

 

E foi assim mais um dia na pele do nosso herói que no afã de salvar um pseudo-índio ferido, foi capturado por uma vilã-cascão. Entre barganhas, nenhuma vingou, e o seu destino foi selado: serviria de ração para uma bem fornida criação de porcos selvagens. Nada que o nosso herói não pudesse dar um jeitinho de se safar, apesar da mordaça, o cipó enlaçado nas mãos e pés e a lama grossa que impedia os seus movimentos. Pelos grunhidos, os bichanos estavam parvos de fome e a tropa acelerava pelo corredor estreito até a arena-restaurante. O pobre homem rolava no chão como a querer se soltar antecipando-se ao banho de sangue que viria a seguir. Fazia caretas e lutava bravamente para achar um jeito, um meio de cair fora. O tropéu sanguinário estava agora a poucos metros, e o homem de colant amarelo produziu um som que nenhuma onomatopéia seria fiel para reproduzí-lo. Algo como uma explosão de vários megatons assustou os porcos esfomeados e os fê-lo parar a poucos centímetros da presa. Um a um começaram a desabar pesadamente no chão até não restar mais nenhum. O nosso herói também abatido, desmaiou. A tropa de resgate o levou ao PS mais próximo. Pensaram: "Gozado o rombo no calção e o cheiro ocre de ácido sulfúrico". Exames feitos e uma sombra negra apareceu nos seus intestinos. Uma grande massa gasosa alojada que precisava ser sangrada ou então ele podia não resistir.. Especialistas vieram dotados de máscaras Israelenses contra gases. Puseram nosso homem em decúbito ventral e instalaram uma sonda emprestada da companhia petrolífera. A tensão era visível nos rostos ansiosos pelo resultado final. Afinal tudo aquilo poderia significar a independência ou morte. Horas depois, o primeiro boletim médico é divulgado no saguão do hospital abarrotado de jornalistas, curiosos e afins. Fôra um sucesso total, o país acabara de se tornar autosuficiente em gás-flato. Estamos livres da vilã-cascão Bô-Lívia e o nosso herói terá a sua cota diária de sarapatel Negócio da China, mas fechado no Brasil!

Escrito por Bonvilão às 10h48
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13/04/2006


A REVOLTA DOS TUBARÕES
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Era uma vez um serviçal
Menino pobre a serviço do crime
Pombo correio dos barões do ouro branco
Que se matou
Se jogou do décimo não sei o quê andar
Do apartamento do rufião de sua mulher
Vida desregrada
Foi pro cemitério cedo
Desviando de balas perdidas na favela
Mais um pixote que não vingou

 

Eu não posso sustentar a idéia
De que não podemos nada
A vida passa, cachorros ladram
Os morros crescem em violência
Fogos de artifí­cio
Mais trabalho fora-da-lei

 

E se chegasse vivo aos dezoito
Lhe dariam o trinta e oito e promoção
Não fazia propaganda de refrigerante
Pois tomava a coca que não era cola
O que lhe garantia mais ação
Se vivesse até os trinta faria escola
Virando segurança do barão
Teria autoridade, daria sermão
Teria todo o controle da situação
Acabaria o seu tempo de esmola
Mas morreu e nada disso aconteceu.

Escrito por Bonvilão às 09h11
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12/04/2006


O SEIO ALIEN
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Que louco ser um fascí­nora e não ter condenações
Ninguém me procura e não sou menos solitário por isso
Maquinações chamam atenções de todos menos de mim
Menosprezo pavoneios de chances mí­nimas em cem
As sirenes do fracasso soam a escândalo do bem
Sacrifí­cios fornidos de águas tidas bentas
Sacis manquitolando no seio alien que alimenta
E o trato quebrado na fornalha do inferno
Para que os cartuns sejam tristes em suas tiras diárias
Para que os tumores supurem nos últimos suspiros
E os carvões em brasa trisquem pés neanderthal
Escarneça das canalhas com a carne das gérberas
Espetadas na assadura de um ceifar súbito ignorante
Ornados gumes de um desleixo capenga do teu corpo
Que viajaram separando veias e explorando músculos
Não sei nada da fase que os olhos fecharam e o pulso surtou
Para que os aromas na perfí­dia espalhem-se a  torto
O cume esquerdo do meu peito petulante arreda do resto
E saco beijos de crânios desbotados na ternura cemitéria
Enquanto pavios vivos vão velozes até a linha de chegada
Eu rezo bebendo o leite desse seio alien
E deixo escorrer pelo canto da boca a saliva sêca
Eu ando sugando demais desse seio alien
Uma água que transtorna os meus dessaranjos
Capota nos meus devaneios
E me faz evitar sugar outros seios.

Escrito por Bonvilão às 08h35
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11/04/2006


LAS COUZAS DEVOTAS
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Lânguida e farta e ainda ávida tundra
À andar num sem fim de sés inexistentes
Pra quê tanta praça na espera do povo de meu Deus?
Sabatino a mim e torno a tortura sem fim
No fim do mundo de filhos ditos meus
Estanque a tarântula bamba das pernas
Nas cachaças misturas de tortas mil ervas
Por outras plagas és caramuças nada gentis
Por entre os meus sestos é no tanger do senho
Encravos de unhas nas polainas frouxas
Coisas crassas via fúria alheia de doer
Fere e sara chagas de cistos de sustos tais
Que o feto nasce certo na medida que vai morrer
Militar por desafetos dos olfatos nada efetivos
Salutar a prova do feto que não é expelido
Meu caro, o barato é outro
É o coice do poltro no saco que te faz estéril
É a foice do louco que ceifa todo o mistério
Meu bornéu safo de couzas devotas nulas
Safiras nas trouxas cegas de nó
Febris miríades que devastas no pó
Pobres válvulas de motor fracos cavalos
Sou um tolo feudal sem o aparato vassalo
Que quantidade posso ter eu
De claridade dentro desse breu?
O meu santo descombina com o teu
Esse não será bissexto ano de aniversário meu
Condiga quebrada máquina estátua
Calor do fogo da mais aclamada chama fátua
Sobrevivente da competição mais árdua
Terno de três no duque de dois
São só as considerações que ficam pra depois
O septo sangra na sua vez fatal
As tripas correm num rio do mesmo inepto canal
Sou louco, faço a torto, não te deixo pouco mal
Crueza caverna de escuridão preta
De consanguineos morcegos de castas outras cepas
E sou teu tanto quanto o mundo gira
Sou ameaça a todo aquele que te fira
Séquito a seguir colóquio presépio
E quem nasceu será das considerações
E quem perdeu será picado em porções
Fazendo a figura triste do bicho morto
Que fedeu pra ser posto no lixo logo depois.

Escrito por Bonvilão às 17h10
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29/03/2006


ACAREANDO ALTER "BURROS" EGOS
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O motim fará
A avareza dar
Definha sol
Conserva sem formol

 

Estopim estourar
A certeza cavar
Ilhota atol
Se perde sem farol

 

Lá no fim do mar
Calor de abanar
Sua vida em prol
E o.........

 

- Pára tudo. Que troço mais chato isso aí de cima! Escrito com o saco dêstamanho!Vai ô poeta de araque! Coisa forçada.
- Tente fazer melhor. Não entendes o sentido do abstrato. Gostas de fornicar com versinhos!
- Pois te mostro objetividade já! Segure sua empolação e admire a reconfecção da primeira estrofe.

 

A rebelião aconteceu
Pelo azar de quem a fez
Enquanto o pôr do sol
Mata mais um mês

 

- Desmetaforizei setenta e cinco por cento não foi?
- Quem disse que eu quis matar o mês?
- Você pôs o sol morto sem formol! Em um dia ele não apodrece. Vira-se o mês porque semana não rima com "fez". Invoco liberdade artística!
- Churumela pura, livre interpretação que qualquer um que lêsse o original faria meu caro. Cada um na sua ok?

Escrito por Bonvilão às 13h08
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23/03/2006


A NHAMBIQUARA DOS BLUES VERMELHOS
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E o turno das tabernas acabou
Tudo onze horas fechou
Enquanto o facho de luz se apagou
Que minuto amargo meu caro
Nada barato foi pretendido
E até por um sétimo sentido
Meu sentimento seria mal entendido

 

Quisera chamuscar a lasca da unha
Roída enquanto você mesmo supunha
A derrota deveras deflagrada
Miséria é perdoar quem não cunha
A moeda de cacife malograda

 

Castiga logo a bandalha
Nesse ringue não se joga a toalha
Em assaltos não praticados
Mastiga logo a canalha
No perrengue-barafunda que não falha
Em asfaltos nunca dantes usados

 

Quanta firula sobre o poderio
Quantos dentes batendo sem frio
Numa fábula de fim quase bom
Eu, agora, mesmo gato não mio
Transmissão que não obedece fio
Velocidade que desobedece o som

 

Sacerdotes demais nesse altar
Pérolas demais num só colar
E o meu vôo solo sai caro
Meu rio aleijado não sabe o que é mar
Minha briga ninguém sabe apartar
Nem em lindos oásis eu paro

 

Caminhou de pantufas nos pés
Cansou de ser mula dos Zés
E dos seus melindres parto feliz
Canhões de um forte cheios de fé
Calçadas moles cheias de pés
No que em quadros seriam giz
Em despedidas colegas, inté
Preciso mostrar ao mundo o que eu fiz

 

A índia da cançoneta triste
Tremulo a bandeira em riste
No derradeiro fato feliz
A Nhambiquara moça assiste
Aos gestos do rapaz que insiste
Em tocar o blues que ele mesmo fez
E toda a cantoria consiste
Na crença de que seria com ela sua vez.

Escrito por Bonvilão às 08h44
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22/03/2006


O MEDO E O MÁRMORE
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Você que me faz tão bem quanto mal
Que furta as minhas virtudes
E as devolve fragilizadas
Você que estapeia a minha sensatez
E assa em fogo alto a minha paz
Que abduz o meu chôro altivo
E o devolve estereotipado e convulso
Você que atropela sem dôr os meus planos
E os devolve bagunçados num borrão
Você que não sente o que eu sinto
E mesmo assim apanho de cinto sorrindo

 

Traduzes bem nessa sintonia alienígena
O mito da chama inescapável de um carma
Branco, frio e liso feito mármore
Preto, sombrio e quente como o medo
E ao mesmo tempo louvável, casto e morno
Como a melhor das sentenças perpétuas

 

Não me diga que não sente também o mesmo torpor
Não me siga tão somente pra me dizer que não quer
Essa sêde incessante de se ter um pouco mais
É a verdade de nós dois em termos quase proibidos

 

Não construimos nenhum castelo juntos
Mas salpicamos as páginas do nosso livro
De um perfume inteiramente nosso
Não escalamos o maior pico do mundo
Mas cultivamos a semente do respeito
Até transformá-la em frondoso pé de amistosas flores

 

Te côlho agora uma delas de tez rubra
De pétalas vigorosas e frescor abundante
Mostro junto a minha coleção de desejos
E norteio os meus bons olhos para que supram entendimentos

 

Ouço uma canção que vêm de longe
E nela há quem cante algo novo
Vamos descobrir juntos o refrão
Para cantarmos em nossos novos devaneios
A parte que diz: E porquê não?

Escrito por Bonvilão às 08h44
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18/03/2006


O ADVENTO MANDRÁGORA
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Dicotomias salafrárias, dando a entender que escaramuças são retornáveis como garrafa. Santo Deus! Quanta cêra nos ouvidos, uma colméia sem abelhas e cá entre nós, berremos a cantilena de todo dia às sete em ponto para chocar-se como galinhas, embasbacar-se na falta de coisa mais sutil a fazer diante do anunciado, aliás vide prenúncio. Nem se faz necessário ser sensitivo, está tudo lá. Interpreto (também em pé trepo) aquela moça vinda de Calçoene como um siri. Anda de lado espumando de raiva e pronta pra se jogar em cima com os dentes podres a cravar-se na minha pele tão ensopada. Escute aqui rapariga, teremos sorte em nos entender, senão...senão eu te toco de volta pro Amapá! Até que enfim um sinal de dúvida, a catarreira desceu e os remelentos fitaram o nada atrás de alguma coisa que não existia. Tudo isso para não me olhar direto. Começou a mexer o pé na areia descrevendo um círculo em sentido horário, um círculo perfeito, ela era boa nisso. Descobria o quanto era boa em fazer círculo na areia usando os pés descalços. Não, isso não era ganha-pão, ela teria que vir comigo de qualquer jeito. Está bem, ela disse, vou entregar todo mundo pro senhor lá no DP. Virei de costas e comecei a andar. Me esgueirei um pouco para constatar que ela vinha atrás a passos lentos e ainda olhando pro infinito do mar, mas vinha. Calafetei a mente e me veio o seguinte pelo caminho:

 

Tenta-me sapa principessa
Cujos lábios de tez espessa
Me faz delirar
Cata-me a tapas de porte
Cujos solapos fazem corte
Não é nada sangrar

 

Pelo que te amo
Pelo que conclamo
Teu pêlo que afano
Vamos agora somente celebrar

 

Aja coriscos em mil bandos
A naja confisco nos picando
Seu sachê vaza fugidio
Seu anjo preferido pego arfando
Na fortaleza moite que espio

 

Casamata bunker buraco no chão
Maltrata o truque contrata o irmão
Siesta tenaz solta volante na mão

 

Siciliana me tenha no salto da bota
O visto da roupa de nota janota
O crasso soa nas miligramas pesadas
Borboletas mandatárias cassadas
Palco que lota fora de rota e indigno de nota

 

O feto tolhe a safra boa
Da flacidez a gordura não côa
E o bem que sefaz não traz o céu
E de cem que seja mal rima o cordel
No meu rio mal passa canoa
Na vida mal cabe esse escarcéu

 

De Mandrágora à Bornéu
Consumido todo o fel
Fui solto pra cantar
Farto pulmão a dilatar
Soltando uivos loucos ao léu

 


Os estrupícios soporíferos da verdade seriam regurgitados na cara da autoridade. Eu não tô nem aí. Só queria provar mais uma teoria de cunho muito pessoal. Foi mal pra quem feri, mas se querem saber a verdade, foda-se a réstia sacripanta insensata que não assume  posição! Estrume de boi é pouco, merecem a maior cagada dinossáurica no meio do cocoruto. Sorry Folks! Carrego meus halteres nos colhões, e vocês?

Escrito por Bonvilão às 08h59
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17/03/2006


CARNE SEM SAL
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Em andrajos falsões
Barbitúricos aos borbotões
E tudo parece normal
Em orquestra de anões
Ácido sulfúrico nos porões
E o lúpus parece fatal

 

Em biga de vitória corrida
De poeira lançada comida
Do bem só me sobra o mal
De menino pequeno castiga
De marido carrego marida
De um pra dois consolida casal

 

Em trajes de farda carcomida
Cabala farta em briga
Dilapida a briga em pedra coral
De barba forense torna intriga
Tubérculo de dedo é figa
Penduro o cetro no quintal

 

Em paradores autorais
Sou a própria fadiga
Desses tantras amorais
Sou a forma menos amiga
De todas as formas mais fatais

 

Desses ditos paranormais
Sou da construção, a viga
Para as minhas dôres, os sais
Quem me quiser que me siga
Enquanto se quer por demais
De todas as formas cabais
Por todas as normas normais

 

Sou o crivo da chata que navega e flutua
Sou o silvo do apito que entrega e cultua
A chaga louca que imunda pontua
Hordas doentes migrantes do mal

 

Sou o frívolo guardião do graal
Sou o salto em vão no canal
Sou o vistoso dôce do canavial
Sou nada santo enquanto xingo e canto
Espantando do futuro o mal
Espiando pelo muro rico de cal
Comendo, eu juro
Dessa carne sêca e sem sal.

Escrito por Bonvilão às 08h30
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16/03/2006


PELO QUE SEI QUASE SEMPRE SERÁ
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Faz que imita
Severas tardes em sótãos sujos
Traz quem irrita
Os olhos ardem em mundos mudos

Cada alcatraz
De cada mal que traz
Franzido senho
Cozido tenho
As letras na sopa da vida

Lagarta
Te parta em mil
Te larga em cio
E salto
Das cem pernas
Te tornas terna
Circuito curto em fio

E o jorro que dói
Corro tanto que corrói
A coisa que sara
E o morro que mói
Subo tanto que...ói
O encanto não para

Carma já morto
Em cartaz de aborto
Me farta a torto
E pelo que sei
Quase sempre será
A surpresa de um porto
Casa nova pr´ancorar

Arma má de outro
Faz do que ouve mouco
Me parta morto
E pelo que sei
Quase sempre será
A cortesia do agouro
N´alma que encarnará

E pelo que sei
Quase tudo sempre será
A folia de dois couros
Que esfregam-se pra ver o que há.

Escrito por Bonvilão às 09h51
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